A Arte de Queimar Caravelas (divagações para este fim de ano)


Estávamos eu e o Celestino, grande brother, em uma das muitas mesas de bar nas quais temos o salutar hábito de discorrer sobre temas de suma importância para o futuro do Brasil e do mundo, tais como o ataque do Flamengo, a saudosa bunda da Carla Perez ou o fulano de tal que virou viado.

O Celé, pós-doutorado em diversas disciplinas voltadas à conquista dos povos bárbaros de saia e cabelo comprido, naquela tarde ouvia atentamente aos queixumes do amigo, que ainda convalescia de um pé-na-bunda tomado recentemente, após um casamento de 20 anos.

Ouviu pacientemente, acompanhado de algumas doses de Old Parr e, após reflexionar por breves instantes, sentenciou:
“Meu velho, você precisa queimar caravelas.”
“Não entendi.”
“Você precisa queimar caravelas!”
“Desenvolva, cacete. Porreéssa de queimar caravelas?”

Contou-me então, que em sua passagem pela Adidância Policial na Embaixada em Lisboa, descobriu que a ilustre Escola de Sagres, fundada pelo Infante D. Henrique, onde seriam formados os navegadores portugueses, não era uma edificação, ou mesmo uma instituição de ensino,como erroneamente aprendemos nas aulas de história, no Brasil.

Infante D. Henrique

Infante D. Henrique

Seria, na verdade, um conjunto de técnicas e disciplinas que definiriam a maneira portuguesa de navegar, algo como, mal-comparando, a escola brasileira de futebol, na qual prevalecem a habilidade e o improviso, em contraponto à escola europeia, em que prevalecem a disciplina tática e o vigor físico.

Informou, ainda, que de acordo com os preceitos sagrenses, o retorno às terras lusas, após as grandes viagens desbravadoras, só seria admitido aos navegadores pertencentes à nobreza, cuja patente era obviamente maior. Aos de capitão pra baixo só restariam os destinos mais inóspitos, de posse de parcos recursos e uma ordem expressa: ao chegar, queimem as caravelas!

Resumindo: vá e vença! A derrota não era opção. A não-conquista não era opção. Sucumbir não era opção. Voltar não era opção.

O amigo me fez ver, naquela tarde em uma mesa de bar, que eu não seguiria em frente, a desbravar e vencer mares nunca dantes navegados, se não queimasse as caravelas que me aferravam à esperança de voltar.

E hoje, cerca de um ano após a reveladora conversa, já com as (acredito) caravelas queimadas, entendo que o mesmo princípio pode ser aplicado a variados aspectos de nossas vidas.

Uma virada profissional, colocar em prática aquele projeto sonhado há anos, abrir um negócio, estudar pra concurso, fabricar cerveja, ou suco de pequi com cranberry, ter um filho, entrar no happn, sair do happn, casar, separar, malhar com seriedade para alcançar o corpo desejado, fazer aquela viagem sabática, comer, rezar, amar… não importa! Qualquer mudança envolve riscos. E exige coragem, fé e determinação.

Quer realmente vencer, amigo? Queime caravelas.

A Menina e o Catavento

A menina segura o sol.
Um sol sem raios.
Um sol de pétalas
multicoloridas ao sabor do vento.

E ela segue um caminho de luz.
E ela sorri e a tudo ilumina.
E ela é o Sol.

Para onde vais, menina?
Pouco importa, também quero ir.
Deve ser melhor que aqui.
Neste mundo de iniquidades.

catavento

Cronologia de Uma Delação

1º Dia – em casa
– O senhor está preso.
– PRESO, EU? VOCÊ SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO? QUE PAÍS É ESSE?

Chegada à PF

– Cabeça baixa e mãos para trás.
– O CARDOZO TÁ SABENDO DISSO?
– Cabeça baixa e mãos para trás. Vai!

2º Dia – Carceragem da PF
– Quentinha chegou, carne ou frango?
– NÃO COMO ISSO! PREFIRO MORRER DE FOME.
– Você é quem sabe. O Delegado liberou 15 minutos pra falar com o advogado.

Advogado entra no parlatório.

– O bicho pegou. Acho melhor considerar uma delação premiada.
– NUNCA SEREI DELATOR! O PROJETO É MAIOR QUE ISSO! ESMORECER JAMAIS!HASTA LA VITÓRIA!
– Você é quem sabe. Algum recado pra alguém?
– FALA PRA GISLAINE DELETAR TUDO DO ZAP ZAP
– Gislaine, que Gislaine?
– A MINHA AMANTE, PORRA! FALA COM O GOIANO QUE ELE DESENROLA. E VÊ SE DÁ UM JEITO DE ME TIRAR DAQUI. O BANHO É FRIO PRA CACETE!


15º Dia – Carceragem da PF
– O médico chegou.
– Bom dia, o senhor está sentindo o quê, exatamente?
– ACHO QUE É DEPRESSÃO DOUTOR, NÃO PARO DE CHORAR E NÃO CONSIGO DORMIR.
– Vou passar um Rivotrilzinho e fica tudo certo. Bom dia.
– PERAÍ DOUTOR, CONVERSA UM POUCO COMIGO, DOUTOR! DOUTOR!

– Quentinha chegou, só tem fígado hoje.
– TEM NADA NÃO, FAZ BEM PRO SANGUE, OBRIGADO HEIN!

30º Dia – Transferência para o Presídio
– Ganhou um upgrade na hospedagem, hein? Agora cabeça baixa e mãos para trás.
– SIM SENHOR, DOUTOR. QUERIA AGRADECER PEL…
– Cala a boca e anda. Não temos o dia todo.

45º Dia – Presídio
– 15 minutos, advogado taí.
– Bom dia, os HCs foram todos negados. O “garçom” abriu o bico. Complicou.
– PUTA QUE PARIU, FUDEU. E A GISLAINE, QUE QUE DEU?
– Disse que se não pingar um pixuleco na conta dela, ela vai na Veja.
– CACETE! PAGA LOGO ESSA PIRANHA!
– Qual conta?
– A DA SUÍÇA, LÓGICO!
– Tá bloqueada. Cooperação Jurídica Internacional.
– AI MEU DEUS! QUE PAÍS É ESSE? PEDE PRO MÉDICO VIR AQUI, A HEMORRÓIDA ESTOUROU.


78º Dia – Audiência na Justiça Federal

Procurador da República:
– Bom dia, pode se sentar. A que devemos a honra?
– SABE, DOUTOR, ESTIVE PENSANDO…COMO É QUE FUNCIONA A TAL DELAÇÃO PREMIADA?

Não passarão!

Mais uma série de crimes contra a humanidade praticados em nome do Socialismo, ou Comunismo, como queiram.Peru liberta 13 mulheres e 26 crianças sequestradas pelo Sendero Luminoso – 28/07/2015 – Mundo – Folha de S.Paulo

As vítimas foram mantidas em cativeiro por 30 anos. Eram submetidas a toda a sorte de violências e sistematicamente estupradas.

Os filhos nascidos da violência eram criados e doutrinados para se tornarem guerrilheiros.

Não se iludam, não me iludo: O grupo formado pela atual mandatária, Zé Dirceu, Genoíno, Fernando Pimentel, Franklin Martins, Miguel Rosseto e tantos outros, nas décadas de 60/70, não lutava contra a “ditadura militar”.

Assaltavam bancos, sequestravam e executavam pessoas na tentativa de implementar no Brasil um regime semelhante àqueles que ceifaram milhões de vidas na extinta União Soviética, China, Camboja, Coreia do Norte, Angola, Cuba e tantos outros.

Aqui na América do Sul, graças à intervenção dos “Imperialistas” americanos e da ação firme dos militares, a barbárie foi evitada, mas alguns movimentos sanguinários, autointitulados “revolucionários”, como o Sendero Luminoso e as FARC subsistiram. Outros, como na Venezuela, Bolívia e Equador, chegaram ao poder.

O resultado é semelhante em todos os casos: o Terror! Atrocidades em série cometidas em nome de uma ideologia pervertida, perversa e fadada ao fracasso desde sempre.

Que sirva de alerta.

Não passarão!

Modelo Falido

Papelada sem fim.

Aeroporto de Cumbica, Guarulhos, São Paulo, Brasil, maio de 2015.

Um ganense é detido pela briosa Polícia Federal, ao tentar embarcar com 450g de cocaína no estômago, acondicionados em cápsulas, rumo à Europa.

A PF solicita cooperação da Interpol para saber a “pregressa” do traficante, na França, onde ele dizia viver. A resposta chega em menos de 2 dias:

O belezinha já tinha sido preso, em 06/01/2011, a bordo de um trem, no sul da França, de posse de meio quilo de cocaína, que tentava levar à Suíça.
Foi julgado e condenado em 11/01/2011, exatos 5 (CINCO!) dias após ser flagrado. Pena: 30 meses de prisão mais 5 anos impedido de entrar em território francês.

Ok, você vai dizer que o cara não teve respeitado seu amplo direito de defesa, que o período de 5 dias não é suficiente pra angariar provas, ouvir testemunhas, julgar e condenar ninguém, blá, blá, blá…

Conversa pra boi dormir. Ou pra enriquecer advogados. (ou até servidores públicos com cargo vitalício, vai saber…)

O sistema, lá, funciona. O cara que é pego em flagrante com 30 cápsulas de cocaína no estômago, vai alegar o quê? Que lhe enfiaram o pó, goela adentro, enquanto dormia? Que pensou que era uva Itália? Pera lá!

O que vale é a prova. Tem prova? Tá enrolado, “mermão”! Quer reduzir a pena? Dá o serviço todo. Simples assim.

Prova testemunhal? É mais complicado, mas dá pra fazer.

No Brasil, graças ao modelo Processual Penal vigente, calcado no infame Inquérito Policial, o tal traficante, pela prática do mesmíssimo crime, se puder pagar um bom advogado, talvez nem fique preso e, com alguma sorte, em um ou dois anos seja, enfim, sentenciado.

Se quisermos uma polícia e um sistema judiciário eficientes, é mister banir essa peça medieval (criada na Santa Inquisição) do Processo Penal brasileiro.

Li em alguns artigos sobre o assunto, que apenas o Brasil e algumas outras “potências mundiais” do porte de Angola, Moçambique e (acho) Suazilândia fazem uso desse arcaico método de elucidação criminal. O qual, pra quem não sabe, é meramente informativo. E mais:

Hodiernamente, em países como Austrália, Suécia, Holanda e tantos outros, para delitos de menor monta, os próprios condutores do flagrante ou da investigação, sejam eles agentes, inspetores, comissários ou outro agente de aplicação da lei, são os oferecedores da denúncia, dispensando, caso possuam os atributos mínimos, previstos nos respectivos regulamentos, a figura do Promotor de Justiça, cuja atuação será exigida apenas nos crimes mais complexos.

Pergunto: quantos traficantes e outros criminosos de alta periculosidade circulam livres pelos campos de batalha da verdadeira guerra civil ora travada no Brasil, graças à completa ineficiência do atual modelo?

A quem interessa a ineficiência?

Ai de ti, Itaquerão.

Que fique bem claro que nada tenho contra o Corinthians ou contra os corintianos, muito pelo contrário. Até nutro certa simpatia pelo time do Parque São Jorge e seus muitos seguidores. Por ser Flamenguista, sei muito bem o que é ser odiado por muitos e invejado por todos.

A questão é outra.

Simplesmente não posso deixar de manifestar meu contentamento com a eliminação precoce da equipe alvinegra da Liberta, ocorrida na noite de ontem, no funesto estádio apodado Itaquerão, o qual, pra ser sincero, nem sei o verdadeiro nome.

Se fosse no Pacaembu, Morumbi ou qualquer outra praça esportiva, talvez fosse solidário aos milhões de alvinegros que foram dormir(ou tentar) de cabeça inchada. Ser eliminado em casa pelo Guarani do Paraguai não deve ser fácil.

Mas como foi no Itaquerão, azar o deles.

Explico: A tal peça de concreto e aço, que se assemelha a uma imensa impressora, representa, em parte, o que há de mais podre e desprezível no Brasil de hoje. O Governo petralha.

O tal estádio me faz lembrar as obras faraônicas construídas por ditadorezinhos africanos, ou “cucarachas”, via de regra comunistas, para saciar o ego eternamente inflado e carente de recursos não-contabilizados em suas contas bancárias na Suíça.

Senão vejamos: em qual país sério se construiu um estádio às pressas, sem licitação, com valores superfaturados, para satisfazer o(s) desejo(s) pessoal(is) de um presidente populista, torcedor fanático do clube beneficiado, com recursos públicos e a fundo perdido, cuja obra foi convenientemente entregue a uma empreiteira que faz doações milionárias, desde sempre, ao partido governista?

Sem resposta, eu sei.

O Universo conspira, amigos. O tal estadiozinho já foi palco de dois revezes traumáticos para os lombos corintianos: A semi do paulista, em que o Corinthians foi eliminado por seu arquirrival, o Palmeiras, e a humilhante derrota de ontem.

Os alvinegros não tem nada com isso, admito, mas aquele concreto em que sentam foi construído à custa de milhões de escolas, ambulâncias, creches e asilos.

Amaldiçoado está desde suas fundações, Itaquerão.

Ai de ti. Ai de nós.

Bibi

Bibi
Minha pequena
Marina morena,
Pipoca, biboca, nariz de taboca.
Marina Bibi.

Queria te dar o céu,
O mar, que já é seu.
Te dar tudo que é meu,
Tudo que nunca tive, tudo que nunca vi.

A lua, as estrelas e um avião.
Voar contigo para o Marrocos,
Berlim, Florença ou Cazaquistão.

Dançar na chuva,
Comer brigadeiro, até de manhã.
Abraçar um estranho, subir a favela,
Ver o sol se pôr, em Itapuã.

Te quero feliz,
Vivendo, vibrando e cantando.
Tua voz que nos acalma e encanta.
E nos faz tão bem.

Como teu sorriso e teu olhar.