Ai de ti, Itaquerão.

Que fique bem claro que nada tenho contra o Corinthians ou contra os corintianos, muito pelo contrário. Até nutro certa simpatia pelo time do Parque São Jorge e seus muitos seguidores. Por ser Flamenguista, sei muito bem o que é ser odiado por muitos e invejado por todos.

A questão é outra.

Simplesmente não posso deixar de manifestar meu contentamento com a eliminação precoce da equipe alvinegra da Liberta, ocorrida na noite de ontem, no funesto estádio apodado Itaquerão, o qual, pra ser sincero, nem sei o verdadeiro nome.

Se fosse no Pacaembu, Morumbi ou qualquer outra praça esportiva, talvez fosse solidário aos milhões de alvinegros que foram dormir(ou tentar) de cabeça inchada. Ser eliminado em casa pelo Guarani do Paraguai não deve ser fácil.

Mas como foi no Itaquerão, azar o deles.

Explico: A tal peça de concreto e aço, que se assemelha a uma imensa impressora, representa, em parte, o que há de mais podre e desprezível no Brasil de hoje. O Governo petralha.

O tal estádio me faz lembrar as obras faraônicas construídas por ditadorezinhos africanos, ou “cucarachas”, via de regra comunistas, para saciar o ego eternamente inflado e carente de recursos não-contabilizados em suas contas bancárias na Suíça.

Senão vejamos: em qual país sério se construiu um estádio às pressas, sem licitação, com valores superfaturados, para satisfazer o(s) desejo(s) pessoal(is) de um presidente populista, torcedor fanático do clube beneficiado, com recursos públicos e a fundo perdido, cuja obra foi convenientemente entregue a uma empreiteira que faz doações milionárias, desde sempre, ao partido governista?

Sem resposta, eu sei.

O Universo conspira, amigos. O tal estadiozinho já foi palco de dois revezes traumáticos para os lombos corintianos: A semi do paulista, em que o Corinthians foi eliminado por seu arquirrival, o Palmeiras, e a humilhante derrota de ontem.

Os alvinegros não tem nada com isso, admito, mas aquele concreto em que sentam foi construído à custa de milhões de escolas, ambulâncias, creches e asilos.

Amaldiçoado está desde suas fundações, Itaquerão.

Ai de ti. Ai de nós.

Síndrome de Estocolmo 2.0

Estocolmo

De acordo com a Wikipedia (http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Estocolmo) “Síndrome de Estocolmo (Stockholmssyndromet em sueco) é o nome dado a um estado psicológico particular em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo sentimento de amor ou amizade perante o seu agressor. A síndrome de Estocolmo parte de uma necessidade, inicialmente inconsciente.”

Pois descobri que sou portador, desde que deixei de ser petista, há pouco tempo, de uma variante da tal síndrome.

A Síndrome de Estocolmo 2.0 é um estado psicológico em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de Cleptocracia, corrupção endêmica e desrespeito total com a coisa pública, passa a ter um desejo avassalador de viver em Estocolmo. Explico:

Estocolmo é a capital de um pequeno reino nórdico, cujo parlamento é considerado o mais eficiente e barato do mundo. Ostenta também um dos mais baixos níveis de desigualdade de renda do mundo, além de ter se classificado em primeiro lugar no Índice de Democracia, promovido pela ONU.

Mas não vou ater-me à decantada eficiência do Parlamento Sueco. Quem quiser ter uma ideia de como a banda toca por lá, leia o livro de Claudia Wallin, “Um País Sem Excelências e Mordomias” (Geração Editorial).

Resumidamente, os políticos suecos são baratos e eficientes porque a sociedade sueca, que tem os mais altos índices de escolaridade do planeta, tratou de ir às ruas, ainda nos anos 30, exigir punição severa aos maus políticos.

As leis que coíbem as práticas espúrias na administração pública, tão comuns em Pindorama, além de serem mais severas, lá, tem a mais eficiente força fiscalizadora do Universo: o povo.

Lá não tem essa palhaçada de foro privilegiado. Lá, os membros do Judiciário não tem vitaliciedade.

Todos são iguais perante a lei.

Esta semana o jornal “O Globo” publicou um excelente artigo da jornalista Tania Fusco: http://noblat.oglobo.globo.com/geral/noticia/2015/02/pequena-historia-do-combate-corrupcao-no-brasil-listageral.html

A jornalista parte de premissas verdadeiras, a saber:

“sempre da M quando a campanha política não acaba na eleição e é o “combate a corrupção” que leva o povo para rua e derruba presidentes.”

Mas acaba em conclusões falsas, ou inexistentes.

Se o Getúlio se matou, se o Jânio renunciou, se o Jango correu do pau, se o Collor não aguentou, problema deles. Não fizeram a menor falta, e o país só ganhou com as mudanças! E olha que não havia provas consistentes contra nenhum deles.

Um eventual pedido de impeachment da atual mandatária está subsidiado por um oceano de provas! A mulher, seu antecessor e o partido deles estão envolvidos até a raiz dos cabelos.

Quando compartilhei o artigo no meu facebook, alguns amigos entenderam que não vale a pena ir às ruas pedir o impeachment, vez que não há nada melhor pra por no lugar, ou que não adianta lutar, pois o Brasil é assim mesmo e que sempre seremos governados por corruptos, independente da legenda ou ideologia.

Desculpem, mas não concordo.

Ok, vamos impichar a Dilma e assume o Temer. Catastrófico, concordo. Mas a solução é simples: impeachment no rabo dos dois! O mordomo de filme de vampiro tá tão atolado quanto! E aí, novas eleições.

Precisamos de exemplos!

Vamos por na cadeia todos os belezinhas, como ocorre em Estocolmo, que a coisa muda de figura.

Enquanto assistirmos inertes aos desmandos e roubalheiras, a coisa só vai piorar.

Nós estamos pagando a gasolina mais cara do mundo pra salvar a Petrobrás, que foi quebrada pelo PT! O trabalhador que ganha mais de 2 salários mínimos por mês tem que pagar imposto de renda. Em 97, só pagava quem ganhava mais de 9 salários mensais.

Não podemos tolerar, ainda, um governo a meu ver ilegítimo, que foi eleito com graves violações às leis eleitorais, (convenientemente ignoradas pelo Presidente do TSE, ex-advogado do PT), e sem qualquer possibilidade de auditoria nas urnas, vez que não há como auditá-las.

Um governo que estraçalhou a economia do país com o fito de se manter no poder à custa de descontrole das contas públicas, com farta distribuição de cargos (100.000!!!) e ministérios (40!!!), compra de apoio político no Congresso, aparelhamento do Estado e de instituições de controle, tais como PGR, CGU e Polícia Federal, além do próprio STF.

Sem falar na mais vil das práticas espúrias: o assistencialismo. Iludir milhões de desvalidos em troca de bolsas as mais variadas, sem prover-lhes o que há de mais importante: serviços públicos de qualidade. Saneamento, moradia, segurança, educação e saúde.

Vamos dar um basta! Vamos às ruas! Mudemos as leis! Cadeia pros maus políticos!

Chega de pagar impostos escandinavos e receber serviços africanos.

Chega de ser Escandináfrica!

Até tu, Veríssimo?

Quinta-feira é dia da coluna do Veríssimo, o Luís Fernando. Sou fã de carteirinha e leitor assíduo de tudo que o maior cronista vivo do país escreve. Mas desta vez ele vacilou.

A crônica desta semana (“http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,ma-fase-imp-,1601970”) a qual gosto de ler na página do Estadão por conta da diagramação limpa, transcorria leve e gostosa, como de praxe.

Versava divertidamente sobre rebaixamentos no futebol, em particular ao recente malogro bisado pelo faísca, perdão, Botafogo.
O problema foi a segunda parte.

O quarto parágrafo, intitulado “O começo”, inicia-se com uma premissa falsa, que aqui indico:
“Leitura recomendada para os nostálgicos da ditadura.”

Sei que tenho pouquíssimas ou nenhuma chance de que um dia estas humildes linhas sejam lidas pelos iluminados olhos do mestre, mas vai que…
Senhor Luis Fernando, tal assertiva não corresponde à realidade.

Talvez induzido por sua conhecida simpatia ao atual regime, que foi definido por um membro da Suprema Corte desse país, como “cleptocracia”, o nobre escriba pisou na bola.
Não há nostálgicos da ditadura, até porque há uma nova (dissimulada em democracia) instalada.
Há nostálgicos dos militares. E eu não sou um deles, devo esclarecer.

Continuando.
Um pouco mais à frente, o cronista discorre sobre a obra de um tal Pedro Henrique Pedreira Campos, a qual não li e por isso não posso tecer comentários.
De acordo com LFV, o livro trata da participação das empreiteiras no golpe de 64 e a sua relação com o governo militar.

Afirma que “os casos de corrupção … eram acobertados porque não existia fiscalização, a imprensa era censurada e qualquer crítica era considerada contestação ao regime.”
E pra piorar:

“na era dos militares, a apropriação do Estado pelas empreiteiras era até maior do que o que está sendo revelado hoje por instituições democráticas como o Ministério Público e a Polícia Federal.”

Ôpa! Peralá!

Santa Clara na causa: não existia fiscalização? Talvez, pois não havia os órgãos fiscalizadores de hoje. Mas do que adianta fiscalizar e os fantoches “entuchados” nos Tribunais e Órgãos de Controle engavetarem as investigações, como ocorre nowadays?

A imprensa era censurada? Realmente era e considero isso uma grave violência. A mesma que os atuais cleptocratas tentam sorrateiramente perpetrar, por meio de uma nova lei de controle da mídia. Além disso, há casos como o da jornalista Rachel Sheherazade (essa eu googuei)cuja emissora teve o patrocínio de um banco federal cancelado, após as críticas que teceu à atual mandatária, consideradas contestação ao Regime. Confere, produção?

Apropriação do Estado pelas empreiteiras era maior do que hoje? Oi? Como assim LFV? Cancelaram a sua Internet? Parou de ler e ver jornais, como 99% dos petistas que eu conheço?

O Sr. Paulinho, protegido do ex e da atual mandatária, foi muito claro na acareação de que participou na CPI da Petrobrás: TODOS os órgãos, empresas públicas e autarquias estão envolvidos em esquemas de favorecimento a empreiteiras. E que envolvem partidos e parlamentares.

Instituições democráticas como o MP e a PF? Quanto ao MP nada posso falar, mas como servidor da PF, sou muito claro em afirmar que isso só pode ser piada.
Melhor não entrar em detalhes.

Mas sopesando a genialidade artística e a obtusidade política, o grande mestre da literatura tem crédito de sobra.

Continuarei seu assíduo leitor, apenas peço que respeite a minha inteligência!

A Coragem de Uma Filha e a Coragem de Muitos Filhos

Sábado passado tive de fazer um bate e volta em Lisboa, para buscar minha filha que vinha do Brasil e a conexão naquele aeroporto, como já descrevi por aqui nesse blog, https://marcoantonio51.wordpress.com/2012/01/12/guia-pratico-de-sobrevivencia-na-franca-parte-2-ainda-a-viagem/ é um pouco confusa. Pagamos acompanhamento da TAP, mas pelo sim, pelo não…

FrancesinhaFui comer uma francesinha (é um sanduíche português, viu?) num shopping próximo ao hotel e lá pelas tantas um cartaz chamou-me a atenção: “Maria Rita canta Elis”. Local: ao lado do shopping.

Pensei comigo: bela oportunidade de acabar com duas teimas de uma tacada só.
1ª – Nunca fui fã de Maria Rita, por me parecer um arremedo da mãe;

2ª – Nunca fui fã da mãe, Elis, por achar seu repertório um tanto depressivo demais para o que meus, à época, revolucionários hormônios adolescentes, necessitavam.

Como o show começava às 21:00h e deveria terminar às 23:00, contabilizando o bis, resolvi conferir. Dava pra dormir o suficiente pra acordar cedo na manhã seguinte.

Primeira constatação: a portuguesada gosta de MPB, pois a casa, um pavilhão de espetáculos para uns 3 ou 5 mil, estava repleta. Todos sentados.

Às 21:00, pontualmente, apagaram-se as luzes, a banda despachou os primeiros acordes e Maria Rita, do alto de seus metro e meio, trajando o mais puro dos brancos, dos pés à cabeça, começou a cantar. O que vi e ouvi nos 120 minutos que se seguiram, lançaram por terra, com requintes de crueldade, todo o ceticismo que guardava comigo, frutos, obviamente, de minha ignorância ou teimosia.

Maria Rita

Mais que o talento raro, que a coloca, sem qualquer senão, no panteão das grandes cantoras brasileiras, o que mais me impressionou na baixinha, foi a sua coragem. Sem qualquer exagero, 90% dos arranjos foram rigorosamente iguais aos das versões originais. Ela fez questão de encarar e escancarar de vez as comparações óbvias com o talento da mãe.

E o fez com maestria.

Chorou várias vezes durante o espetáculo, principalmente pela acolhida que teve a oito mil quilômetros de sua terra. Contou as estórias, os medos, as angústias e a coragem da “pimentinha”, como era conhecida sua mãe. E mais: contextualizou historicamente as canções, fazendo-me, finalmente, compreender um pouco do seu repertório. Não é mesmo fácil entender os gênios.

A estória que mais me tocou foi uma que ela contou após cantar “O bêbado e a equilibrista”, que foi ovacionada de pé, talvez por conta das manifestações que tomaram conta do Brasil.

Contou ela que Elis, ao saber da prisão da Rita Lee, pela ditadura militar, tomou um dos filhos pequenos pela mão e foi parar na delegacia. Fez um escarcéu danado, exigiu advogado e médico, pois a Rita estava grávida. Bateu boca com delegado, coronel e só arredou pé do distrito policial quando teve todas as reivindicações atendidas. Detalhe: não conhecia Rita Lee.

A cada canção, cada estória, cada choro, eu me rendia ao talento e à coragem das duas.

Senti, porém, um enorme vazio, ao lembrar que a mesma “O bêbado e a equilibrista”, que hoje é entoada pela corajosa juventude de ouro do Brasil, foi, há trinta anos, o hino das Diretas. Naquele tempo, enchia-me de coragem e orgulho ao ouvi-la ser entoada por multidões trajadas de vermelho, empunhando bandeiras com o símbolo maior da mudança. A representação fiel da liberdade, da justiça e da ética. A indefectível bandeira do PT.

Diretas Já

A bandeira da minha juventude, que por 30 anos defendi com garra e obstinação. Que tantas e tantas vezes empunhei, vesti e por ela briguei, clamando por um novo Brasil, mais solidário e mais justo.

Como foi triste ver a nobre dama de vermelho, a estrela encarnada do meu cordel de fogo, aos poucos ultrajada e prostituída pelos malfeitos de seus dirigentes e representantes.

Submeteram-nos a alianças espúrias com o que há de mais imundo no universo político nacional, Sir Neys, Renans, Collores e ele, o baluarte-mor da corrupção e da imoralidade pública: Paulo Salim Maluf.

O voto de cabresto, travestido em bolsas as mais variadas, como faziam os antigos coronéis, curiosamente nos mesmos rincões miseráveis do solo pátrio.

A compra de apoio político, que culminou com os bandidos mensaleiros condenados pelo STF, cujo merecido cárcere agora tentam protelar.

A volta da censura disfarçada na nova lei de controle dos Meios de Comunicação.

O controle do Judiciário, a que querem nos ultrajar, submetendo as decisões da Suprema Corte ao valhacouto de bandidos do Congresso Nacional.

O que foi feito de ti, dama de vermelho? Onde estão teus filhos? Onde está teu pai, LULA?
De quê se esconde? Covardes!

Não renegarei o meu passado, mas essa dama prostituída já não me representa. Estou envergonhado.

Foi necessária a coragem de muitos filhos para tirar o gigante da letargia provocada pelas muitas décadas de desmandos e negociatas, habilmente encobertas pela conivência de quem os deveria combater e punir.

Obrigado, corajosos filhos do Brasil.

Precata-te, dama de vermelho. Isso é só o começo.

Isso é só o fim.

V de Vinagre

De Poetas, religiosos e outros drogados

Era um belo rapaz, de tez pálida, grandes olhos vivos, basta cabeleira, voz possante, dons e maneiras que impressionavam a multidão, impondo-se à admiração dos homens e arrebatando paixões às mulheres…achava sua vida insípida, dedicou-se às drogas, a boêmia e aos amores.

Morreu sozinho e jovem.

Estou falando, é claro, de Castro Alves.

Isso mesmo, o grande poeta baiano Antônio Frederico de Castro Alves. E não do Chorão.

Desde a semana passada, pululam nas redes sociais, mensagens pseudo-moralistas criticando o culto à imagem do músico e poeta Chorão, cuja causa mortis é ainda desconhecida, provavelmente relacionada às drogas, (lícitas ou não) e à vida desregrada que costumava ter.

A mais estapafúrdia reclamava da suposta devoção exagerada ao poeta paulistano, em detrimento da falta de homenagens ao aniversário do ex-jogador Zico, que completou 60 anos na mesma semana. Coisa mais sem-sentido.

A maioria das críticas visava a devoção a pessoa desprovida de virtudes, refratária aos princípios cristãos, à moral e aos bons costumes e que fazia apologia às drogas (lícitas ou não). Em suma, um péssimo exemplo à juventude.

O mais curioso, no meu modesto entender, é que muitos dos que compartilharam tais mensagens são os mesmos que compartilham, com certa contumácia, fotos e mensagens de apologia às drogas (lícitas ou não). Ou será que álcool etílico não é droga?

Os mesmos pseudo-puritanos, que adoram berrar aos quatro ventos (e twitters da vida) sua inflamada religiosidade, sejam eles católicos, evangélicos ou outros vendilhões do Templo quaisquer, conclamando a terços da salvação, cultos de cura e exorcismo, bençãos e orações do dia; são os mesmos que, minutos depois, publicam fotos de cervejas geladíssimas, das mais variadas marcas e nacionalidades; cachaças raríssimas com status de celebridades; vodcas de nomes impronunciáveis em drinks exóticos, adornados por coloridíssimos guarda-chuvinhas de papel.

Eu também, vez por outra, compartilho fotos de bebidas que aprecio, em ocasiões festivas ou gastronômicas. E nisso não vejo mal algum. Mas nunca apontei o dedo pra ninguém, em facebook nenhum, chamando-o de drogado, bêbado ou similares. Tampouco alardeei minhas convicções religiosas em redes sociais. E nem em canto algum. Religião, na minha modesta visão, é questão de foro íntimo e deve ser praticada sim, por quem nela acredita. Alardeada, jamais.

Rita Lee, outra bela e maldita que eu adoro, disse certa vez que uma das razões que credita à sua duradoura jovialidade e lucidez é o fato de desconfiar sempre de quem fala muito em Jesus Cristo. Taí o Marcos Feliciano que não a deixa mentir.

Apontar os defeitos dos outros é a melhor maneira de tirar a atenção dos nossos. Misturar a contribuição das pessoas à sociedade, seja ela em forma de poesia, música ou tratados de física quântica, com seu comportamento, é no mínimo leviano. Quem somos nós para julgar a sexualidade, a predileção por drogas ou a religiosidade de outrem?

Citando outro belo e maldito, Caetano Veloso, que nunca escondeu sua sexualidade, nem seu gosto pelas drogas (lícitas ou não), escreveu, certa vez, que “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.

Poderia citar aqui milhares de exemplos de pessoas que viveram vidas descontroladas, mas deixaram um legado, seja pelo seu trabalho, suas convicções ou sua arte. De Elis a Frida Kahlo, passando por Fernando Pessoa e Noel, Picasso, Dali, John Nash, Galois e tantos outros.

Àqueles que teimam em apontar os podres indicadores para os defeitos alheios, desejo-lhes tão-somente compaixão. Eles também serão perdoados.

A nós, que teimamos em nos vangloriar de nossas virtudes, peço um pouco de reflexão.

A você, que teimou em ler esta crônica até o fim…

“Você está
Você é
Você faz
Você quer
Você tem”

Frida Kahlo

Gênesis, Picapes e Esseuvês

A piada é antiga, mas me parece mais atual que nunca:

Deus acordou um belo dia com ótimo humor e disposto a fazer grandes realizações. Chamou São Pedro, seu fiel Guardião dos Céus e foi logo mandando:

– Pedro, toma nota aí de umas benfeitorias que pretendo fazer na Terra. Hoje estou inspiradíssimo!

A view of Rio de Janeiro in the direction of C...

Image via Wikipedia

– Claro, Patrão, pode mandar…

– Quero criar um país de terra vasta e bastante fértil, onde, em se plantando, tudo dê.

– Terra vasta e fértil…anotado.

– Bote também aí umas florestas exuberantes, com fauna e flora riquíssimas, além de água em abundância, rios em profusão, nascentes, cachoeiras e cataratas.

– Florestas, fauna, flora, água…

– Ah! Ponha também um extenso litoral, com belíssimas praias, de águas mornas e areias brancas, adornadas por rica vegetação.

– Praias, litoral, areias…

– Não esqueça também de lindas montanhas e vastos planaltos, além de belas planícies alagadas.

– Montanhas, planaltos…nossa, Vossa Excelência tá caprichando mesmo…

– Faça constar aí que não quero nenhum tipo de atividade sísmica, nem maremotos, furacões, vulcões, nada disso!

– Mas Mestre, o Senhor não acha que está exagerando um pouco? Esse país tem tudo que é riqueza possível e não possui nenhuma mazela. Não seria injusto com os outros países?

– Calma que você vai ver só o povinho que eu vou pôr lá…

Pois essa semana que passou foi pródiga em corroborar a piada do povinho.

E não vou falar aqui do escândalo do Ministro que engordou seu patrimônio, e da tentativa de blindagem que a base governista vem arquitetando para salvá-lo. Isso é pros doutos analistas políticos ora em caudalosa abundância em nosso país.

O Feicebuque e o tuíter estão cheios de pais-da-matéria indignados e vociferantes, prontos para a execração pública de quem quer que seja. Desde que não sejam eles próprios.

Este humilde pretenso cronista não se mete nesses assuntos. Seja por absoluta inépcia, ou por completa ignorância.

A burrice às vezes é uma dádiva.

Quero me deter em assunto mais útil e, acredito, pertinente:

O caos no trânsito das grandes cidades.

Tomarei como exemplo a nossa maltratada capital, outrora exemplo de modernidade e solução pragmática para os problemas do tráfego, que hoje agoniza lentamente, sufocada pelas crescentes frota de veículos e horda de imbecis.

Os raríssimos semáforos (sinal para os cariocas e farol para os paulistas) existentes na Brasília original, multiplicaram-se a ritmo viral em poucas décadas. Assim como se multiplicaram os odiosos quebra-molas, redutores e pardais.

Li, compungido, na internet, a estória de um morador antigo, que hoje percorre a pé os quatro Km que separam sua residência do trabalho, para fugir do estresse causado pelo trânsito e pela falta de estacionamento. O almoço em casa, tão importante para o salutar convívio com a família, há muito foi abandonado, por conta da rotina imposta pelos automóveis e pela falta de planejamento do poder público.

Mas há outro componente nessa história. Eu chego lá. Assim como o nosso andarilho, vou devagar, mas chego.

Quero propor aqui duas soluções para o caos do trânsito em Brasília. Os moradores de outras cidades, se assim o desejarem, adaptem-nas às suas realidades.

Solução 1: Transporte funcional.

Quando cheguei em BsB, há 35 anos, todos os servidores públicos tinham ônibus executivos à disposição, para buscá-los em casa e lá deixá-los após o expediente. Os moradores do Plano Piloto ainda dispunham de transporte para o almoço em casa! Gente fina, aquela!

Só ia de carro para a Esplanada quem era Ministro, Parlamentar ou Presidente da República. Além dos altos assessores, óbvio. Os demais não precisavam e não queriam.

http://www.agenciabrasil.gov.br/media/imagens/...

Image via Wikipedia

Aí veio o Collor, cortou o TF, passou a pagar um auxílio-transporte imoral e a Esplanada e zona central de Brasília, da noite para o dia, entupiram-se de carros. Que beleza!

Hoje só os Militares possuem esse benefício, que se fosse reimplantado, retiraria, pelos meus canhestros cálculos, cerca de 10.000(isso mesmo, dez mil!) veículos de circulação. Mas há outro componente nessa história. Daqui a pouco, prometo.

Solução 2: Pedágio para entrar no centro.

Essa é batata. Onde foi aplicada, a medida funcionou que foi uma beleza. Vide Estocolmo.

Sugiro um pedágio em torno de R$ 20,00 para cada carro que quiser entrar na zona central das grandes cidades. Quem for um pouquinho inteligente, vai perceber que dá pra rachar a conta. Basta por mais gente no carro.

Se os colegas de trabalho, que hoje vão cada um em seu carrinho, resolverem se organizar, a conta cai pra RS 20,00 por semana pra cada um. Dependendo do carro, cinquinho a mais ou a menos.

E olha que eu ainda não falei no transporte público. E tenho meus motivos.

Aquela turminha do trabalho que citei aí em cima, se tivesse um transporte público decente e de qualidade, é lógico que ia aplicar os vintinhos num churras de fds, ou no happy da sexta. Mas aí vem o ponto: Será que eles querem?

A crônica da última página da Época da semana passada, brilhantemente assinada pela igualmente brilhante Ruth de Aquino, fala justamente disso: os moradores de Higienópolis, aristocrático bairro de classe alta de SP, conseguiram por meio de abaixo-assinados e outros meios não completamente divulgados, mudar a destinação de uma estação de metrô originalmente planejada para aquelas paragens.

Segundo a porta-voz dos excelentíssimos moradores de Higienópolis, uma gente “diferenciada” certamente iria afluir para o entorno da estação, trazendo insegurança e violência para o bairro.

Aqui a piada encontra lugar nestas mal digitadas linhas.

Que povo é esse, que prefere sucumbir nos engarrafamentos e estacionamentos extorsivos, diariamente, a ter transporte público de qualidade na porta de sua casa?

Que povo é esse, que profere a seguinte frase, que ouvi de um conhecido: “não ando de metrô em Brasília, porque ele vem da Ceilândia e da Samambaia. Aquilo fede!”

Que povo é esse que quer impedir a construção de uma estação na Praça N. Sa. da Paz em Ipanema, por medo da gente “diferenciada”?

Que povo é esse, que se encastela no alto de picapes, esseuvês e camionetes 4×4 em pleno centro urbano, só para se sentir por cima dos demais, numa ostentação burra e ecologicamente incorreta?

Esse povinho que adora ir a New York, Paris e Londres e que só se hospeda em Hotéis próximos ao metrô, é o mesmo povinho que rejeita gente pobre em seu derredor. E pior: não quer nem saber das agruras que seus empregados sofrem para chegar ao trabalho. Problema deles.

Esse é o povinho da piada. O povinho brasileiro.

tiririca

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Maria Euládia, Maiakovski e Vinho Chileno

sobre palafitas
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Em meados de junho do ano passado, estava eu a serviço, em Recife, por conta dos trabalhos de identificação das vítimas do vôo Air France 447, que desaparecera próximo a Noronha.

À época, fazia as vezes de intérprete e oficial de ligação entre os peritos estrangeiros e os (peritos) do Instituto de Identificação de Pernambuco, além dos (peritos) Federais.

Por conta da proximidade com o IML de Recife, definiu-se o “Gabinete de Crise” no SESC do mesmo bairro, que possuía, ainda, as instalações mais adequadas de comunicações e informática.

E foi lá, na sala de imprensa do Gabinete de Crise do vôo Air France 447, que conheci Maria Euládia. No jornal televisivo local, meio-dia.

Maria Euládia, uma pernambucana de 31 anos, assim como milhões de outras, morava em uma das mais de 700 favelas do Recife: A favela da Xuxa.

A despeito da pouca idade, trazia já consigo cinco filhos. De meses, a 12 anos, o mais velho. Talvez por isso aparentasse ter mais de 50 anos. Talvez não.

Seu alquebrado semblante talvez se devesse ao fato de um dos filhos, por conta de atendimento precário na hora do parto e certamente por não ter tido o devido acompanhamento pré-natal, sofresse de paralisia cerebral, que o mantinha perenemente preso a uma cama.

Ou ainda por que o pai das crianças, como não era absurdo supor, havia saído de casa, para não mais voltar, há vários anos. “Os homens fogem cedo…”

O barraco em que vivia com as crianças possuía dois cômodos. Chão de terra, paredes de compensado e papelão. Teto de variadas composições. Sem banheiro.

O derradeiro “talvez” a explicar-lhe a envelhecida aparência, poderia ser, ainda, o inclemente câncer que lhe carcomia o cérebro, deixando-a praticamente inválida, sem poder trabalhar há mais de um ano e ainda tendo que criar e alimentar cinco filhos.

O curioso é que horas antes, durante um animado cafezinho, perguntado por uma perita alemã sobre a importância, para mim, do tal programa Bolsa Família, tão largamente propagandeado mundo afora, respondi, do alto de minha prepotência intelectualóide, que o achava um tanto paternalista. E mais:

“Não é só dar o peixe, tem que dar vara, anzol e ensinar a pescar”.

Maria Euládia jogou peixe, vara, anzol e tudo o mais na minha cara.

Escancarou meu dissimulado preconceito elitista para o mundo inteiro ver. Inclusive a Alemanha.

O Bolsa Família que o governo lhe pagava, além de outros auxílios estaduais, somado ao tratamento que ora recebia, para sua grave enfermidade, mais creche para seus filhos, enchiam de esperança toda a miserável casinha de Maria Euládia. E grande parte da comunidade em que vivia.

Na reportagem, apeser da miséria, todos sorriam.  Com a mão na boca.

Em dois porta-retratos de R$ 1,99, em cima da velha e enferrujada geladeira, destacavam-se, solenes, uma foto do Presidente Lula e a imagem do Cristo crucificado.

Nunca fui “companheiro”. Nunca me filiei a partido algum. Nunca vesti as cores ou desfraldei bandeiras políticas. Sempre votei no PT.

Confesso que primeiro por conta da natural rebeldia adolescente classe média da playboizada da UnB. Depois, por fiel e absoluta certeza na ética inconteste de seus filiados. Por último, por pura e simples esperança. Depois do mensalão, anulei meu voto.

De uma coisa não abro mão: de meus princípios.

O que mais tem me incomodado nessa atual eleição, além da tentativa exacerbada de infantilização do eleitorado, é o uso indiscriminado e irresponsável dos meios de comunicação, principalmente a Internet, com vistas a demonizar e vilanizar alguns candidatos. E canonizar outros.

Já recebi até emails com a famosa “primeira noite” do Maiakovski (MAIAKOVSKI, Vladimir; 1893-1930):

“Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.
Na segunda noite, Já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada.”

Maiakovski foi um poeta e dramaturgo russo, que fez parte da Revolução de Outubro, engrossou as fileiras do Partidão e suicidou-se anos depois, pressionado ou desgostoso com o regime.

O tal poema está sendo enviado por email, numa espécie de analogia a uma possível vitória da Dilma.

Só pode ser piada. Ou pior, completa ignorância. Até um embate entre a democracia e o comunismo estão tentando ressuscitar! Que que é isso! A mulher-laranja, (a do Roriz) acusou Agnelo, no debate,  de ser comunista. Inacreditável.

O Raulzito, lá nos idos dos anos 70 já iluminava: “Falta é cultura, pra cuspir na estrutura…”

O ideário comunista, ou socialista, como preferirem, foi amplamente difundido e defendido, nesta eleição, pelo Plínio, aquele velhinho divertido e atrapalhado, com idéias lunáticas, descabidas e comprovadamente inúteis desde 89. Como os tijolos de Berlim.

O PT, desde a derrota de 98, baniu completamente o partidão de suas propostas. Fez-se a era Lulinha paz e amor. Quem não aceitou pegou seu boné e partiu pra outra. Vide Plínio, Heloísa Helena e mais meia dúzia de celerados.

E agora me vem com Maiakovski?

E o pior é que o poema é do fluminense Eduardo Alves da Costa, e se chama “No caminho com Maiakovski”. Tá rindo? Tem mais:

Quando voltaram do exílio, no Chile, na Europa e não sei mais onde, no final dos 70, FHC, Serra, Plínio e outros mais, embriagados que estavam pelas “primaveras de Praga” mundo afora, decidiram criar, no Brasil, um movimento sócio-político que congregasse o pensamento socialista e os princípios econômicos neoliberais.

Para tanto decidiram, também, convidar um dos ícones da resistência ao Regime: Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto. (vide A Mosca Azul, Ed. Rocco)

Frei Betto
Image by LuisCarlos Díaz via Flickr

Conta aquele religioso dominicano, em esclarecedora passagem do livro, que as reuniões eram sempre na zona nobre de São Paulo, com acaloradas discussões e mirabolantes e redentoras propostas de salvação do Brasil, pela tal sociologia neoliberalóide.

Tudo regado pelo mais correto e elegante vinho chileno.

A certa altura dos acalorados debates, Frei Betto, impaciente que estava com tanta retórica e pouco resultado, sugeriu:

-Gente, que tal irmos aonde o povo está? Vamos às fábricas, às favelas, às comunidades eclesiais de base…o povo deve ter algo pra nos dizer. Vamos?

Os olhares constrangidos se entrecruzaram e fez-se o silêncio.

Efeagá ainda contemporizou: – Mas claro, vamos sim. Primeiro faremos uma comissão para analisar as prioridades, depois proporemos uma agenda positiva, para aí então desenvolvermos os parâmetros…

Frei Betto nunca mais foi convidado. Tá duvidando? Lê lá: A Mosca Azul. E olha que é uma crítica mordaz ao Lula.

Pois essa é a retórica tucana.

Eu não vou aqui cair na esparrela de dizer que acredito na Dilma, que ela é a Madre Teresa que estão nos vendendo. A Wonder woman tupiniquim. A mãe dos pobres. Posso ser burro, mas não sou idiota.

Só não caio na retórica tucana, pois a conheço de outras eras. A elite paulistana mostrando outra vez as suas garras. E seus afiados caninos…

O ideário socioneoliberalóide amplamente aplicado nos 8 anos de FHC, que teve e tem por princípios o tal estado mínimo, com a extinção progressiva, lenta e cruel dos servidores públicos; privatizações inescrupulosas, inclusive de empresas lucrativas e em áreas estratégicas e que nada geraram de riquezas ao País, trouxe somente lucros para os banqueiros e altos capitalistas. E claro, a turma do correto e elegante vinho chileno.

Basta lembrar do Cacciola, do Chico sobrinho e de outros inúmeros beneficiários. Vide escândalo Banestado. Raras vezes o país foi tão desigual e tão sem esperança.

Mas o PT teve o mensalão. E isso ninguém pode negar.

O mecanismo de compra de apoio no Parlamento, prática espúria consolidada pela tal Constituição Cidadã, foi, indubitavelmente utilizado pelo governo petista. Só não teve as câmeras indiscretas do mensalão do DEM em Brasília, mas que houve, isso houve.

Assim como também foi utilizado por FHC em seu delírio de reeleição, ou ninguém se lembra mais disso?

Por ironia da História, o mensalão do PT obrigou Lula a lançar mão do que nele há de melhor: seu lado humano. Apontado que é como cria do Golbery, numa tentativa frutífera de pulverizar a crescente ameaça comunista, Lula voltou, enfim, aonde jamais esteve: à favela.

Abandonado e execrado que foi pela classe média que o elegera em 2002, Lula voltou os olhos e o pensamento à gente humilde e sem esperança que se amontoa, desde sempre, nas favelas e nas roças desse imenso Brasil.

O Fome Zero transformou-se em Bolsa Família e os investimentos para expandir o benefício quadriplicaram.

Surgia ali, o Pai dos Pobres. O Pai Lula. Mas não se enganem!

Ao contrário dos grandes coronéis, mestres na arte do acabrestamento, que mantinham a hegemonia política em troca de pequenos favores, esmolas e garantia de manutenção da ordem contra a ameaça comunista, Pai Lula foi além.

Não como o descarado do Roriz, que dava lote em terras públicas, obviamente sem gastar um centavo, e título de eleitor.

Lula deu salário, condições dignas, energia elétrica e teto. Deu esperança. E o Brasil ganhou 32 milhões de consumidores.

Lula ganhou votos, é verdade. Mas o Brasil ganhou mais.

Maria Euládia tem pouco, mas já tem muito.

E eu acredito no Lula. Discordo frontalmente de sua predileção por ditadores, tais como Chávez, Fidel e o iraniano baixinho de nome complicado.

Não creio que sua força motriz seja só ambição política. Perdoem-me a ingenuidade, mas acredito no seu lado humano. Ninguém antes teve a coragem de ir às fábricas, às periferias, às favelas. Aquilo fede.

Sem Maiakovski, sem instrução, sem o correto e elegante vinho chileno.

Por isso eu voto na Dilma. Não porque ela seja melhor, mais experiente ou mais preparada.

Mas porque foi ela que Lula escolheu.

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