As Mulheres de Los Angeles

Um simpático senhor, de nome Harvey Weinstein, famoso produtor hollywoodiano, detentor de vários “Oscar”, foi acusado de abuso sexual por diversas mulheres, crianças, inclusive. Acusaram-no de praticar o velho teste do sofá, o qual, reza a lenda, é bastante utilizado em certa emissora de TV tupiniquim.
A prática consiste em garantir papéis em filmes, ou produções afins, a quem se digne a compartilhar da mesma cama que o célebre executivo da sétima arte.
Ocorre que o figura é notório financiador do partido democrata e de diversos movimentos progressistas de esquerda, nos EUA.
A comunidade artística de lá, mesmo ciente, há muito, dos abusos praticados pelo monstrinho, preferiu se calar, vez que machista, estuprador e predador sexual só existem do lado de lá, onde habitam os conservadores, a “ultra” direita, ou até mesmo os liberais. Se for de esquerda tá “de boas”. Trump sabe.
Agora vos convido a refletir: quantas mulheres, inclusive crianças, foram abusadas e violentadas sob o imoral silêncio da classe artística esquerdopata que tinha todo o conhecimento das práticas doentias do maníaco travestido de mecenas?
Não se iludam! São pessoas com este mesmo pensamento repugnante, a chamada elite intelectual artística nacional, capitaneada por Caetano Veloso, que aos 40 de idade teria desvirginado uma menina de 13 anos (palavras dela), que defendem as recentes exposições Queer Museum e a do MaM, nas quais crianças foram expostas a conteúdos completamente impróprios.
Quem se posiciona contra é imediatamente taxado de conservador, moralista ou fascista e sumariamente execrado (vide Da. Regina) em cadeia nacional.
Chega de hipocrisia! Chega de canalhice!
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Los Angeles.
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Cronologia de Uma Delação

1º Dia – em casa
– O senhor está preso.
– PRESO, EU? VOCÊ SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO? QUE PAÍS É ESSE?

Chegada à PF

– Cabeça baixa e mãos para trás.
– O CARDOZO TÁ SABENDO DISSO?
– Cabeça baixa e mãos para trás. Vai!

2º Dia – Carceragem da PF
– Quentinha chegou, carne ou frango?
– NÃO COMO ISSO! PREFIRO MORRER DE FOME.
– Você é quem sabe. O Delegado liberou 15 minutos pra falar com o advogado.

Advogado entra no parlatório.

– O bicho pegou. Acho melhor considerar uma delação premiada.
– NUNCA SEREI DELATOR! O PROJETO É MAIOR QUE ISSO! ESMORECER JAMAIS!HASTA LA VITÓRIA!
– Você é quem sabe. Algum recado pra alguém?
– FALA PRA GISLAINE DELETAR TUDO DO ZAP ZAP
– Gislaine, que Gislaine?
– A MINHA AMANTE, PORRA! FALA COM O GOIANO QUE ELE DESENROLA. E VÊ SE DÁ UM JEITO DE ME TIRAR DAQUI. O BANHO É FRIO PRA CACETE!


15º Dia – Carceragem da PF
– O médico chegou.
– Bom dia, o senhor está sentindo o quê, exatamente?
– ACHO QUE É DEPRESSÃO DOUTOR, NÃO PARO DE CHORAR E NÃO CONSIGO DORMIR.
– Vou passar um Rivotrilzinho e fica tudo certo. Bom dia.
– PERAÍ DOUTOR, CONVERSA UM POUCO COMIGO, DOUTOR! DOUTOR!

– Quentinha chegou, só tem fígado hoje.
– TEM NADA NÃO, FAZ BEM PRO SANGUE, OBRIGADO HEIN!

30º Dia – Transferência para o Presídio
– Ganhou um upgrade na hospedagem, hein? Agora cabeça baixa e mãos para trás.
– SIM SENHOR, DOUTOR. QUERIA AGRADECER PEL…
– Cala a boca e anda. Não temos o dia todo.

45º Dia – Presídio
– 15 minutos, advogado taí.
– Bom dia, os HCs foram todos negados. O “garçom” abriu o bico. Complicou.
– PUTA QUE PARIU, FUDEU. E A GISLAINE, QUE QUE DEU?
– Disse que se não pingar um pixuleco na conta dela, ela vai na Veja.
– CACETE! PAGA LOGO ESSA PIRANHA!
– Qual conta?
– A DA SUÍÇA, LÓGICO!
– Tá bloqueada. Cooperação Jurídica Internacional.
– AI MEU DEUS! QUE PAÍS É ESSE? PEDE PRO MÉDICO VIR AQUI, A HEMORRÓIDA ESTOUROU.


78º Dia – Audiência na Justiça Federal

Procurador da República:
– Bom dia, pode se sentar. A que devemos a honra?
– SABE, DOUTOR, ESTIVE PENSANDO…COMO É QUE FUNCIONA A TAL DELAÇÃO PREMIADA?

Não passarão!

Mais uma série de crimes contra a humanidade praticados em nome do Socialismo, ou Comunismo, como queiram.Peru liberta 13 mulheres e 26 crianças sequestradas pelo Sendero Luminoso – 28/07/2015 – Mundo – Folha de S.Paulo

As vítimas foram mantidas em cativeiro por 30 anos. Eram submetidas a toda a sorte de violências e sistematicamente estupradas.

Os filhos nascidos da violência eram criados e doutrinados para se tornarem guerrilheiros.

Não se iludam, não me iludo: O grupo formado pela atual mandatária, Zé Dirceu, Genoíno, Fernando Pimentel, Franklin Martins, Miguel Rosseto e tantos outros, nas décadas de 60/70, não lutava contra a “ditadura militar”.

Assaltavam bancos, sequestravam e executavam pessoas na tentativa de implementar no Brasil um regime semelhante àqueles que ceifaram milhões de vidas na extinta União Soviética, China, Camboja, Coreia do Norte, Angola, Cuba e tantos outros.

Aqui na América do Sul, graças à intervenção dos “Imperialistas” americanos e da ação firme dos militares, a barbárie foi evitada, mas alguns movimentos sanguinários, autointitulados “revolucionários”, como o Sendero Luminoso e as FARC subsistiram. Outros, como na Venezuela, Bolívia e Equador, chegaram ao poder.

O resultado é semelhante em todos os casos: o Terror! Atrocidades em série cometidas em nome de uma ideologia pervertida, perversa e fadada ao fracasso desde sempre.

Que sirva de alerta.

Não passarão!

Modelo Falido

Papelada sem fim.

Aeroporto de Cumbica, Guarulhos, São Paulo, Brasil, maio de 2015.

Um ganense é detido pela briosa Polícia Federal, ao tentar embarcar com 450g de cocaína no estômago, acondicionados em cápsulas, rumo à Europa.

A PF solicita cooperação da Interpol para saber a “pregressa” do traficante, na França, onde ele dizia viver. A resposta chega em menos de 2 dias:

O belezinha já tinha sido preso, em 06/01/2011, a bordo de um trem, no sul da França, de posse de meio quilo de cocaína, que tentava levar à Suíça.
Foi julgado e condenado em 11/01/2011, exatos 5 (CINCO!) dias após ser flagrado. Pena: 30 meses de prisão mais 5 anos impedido de entrar em território francês.

Ok, você vai dizer que o cara não teve respeitado seu amplo direito de defesa, que o período de 5 dias não é suficiente pra angariar provas, ouvir testemunhas, julgar e condenar ninguém, blá, blá, blá…

Conversa pra boi dormir. Ou pra enriquecer advogados. (ou até servidores públicos com cargo vitalício, vai saber…)

O sistema, lá, funciona. O cara que é pego em flagrante com 30 cápsulas de cocaína no estômago, vai alegar o quê? Que lhe enfiaram o pó, goela adentro, enquanto dormia? Que pensou que era uva Itália? Pera lá!

O que vale é a prova. Tem prova? Tá enrolado, “mermão”! Quer reduzir a pena? Dá o serviço todo. Simples assim.

Prova testemunhal? É mais complicado, mas dá pra fazer.

No Brasil, graças ao modelo Processual Penal vigente, calcado no infame Inquérito Policial, o tal traficante, pela prática do mesmíssimo crime, se puder pagar um bom advogado, talvez nem fique preso e, com alguma sorte, em um ou dois anos seja, enfim, sentenciado.

Se quisermos uma polícia e um sistema judiciário eficientes, é mister banir essa peça medieval (criada na Santa Inquisição) do Processo Penal brasileiro.

Li em alguns artigos sobre o assunto, que apenas o Brasil e algumas outras “potências mundiais” do porte de Angola, Moçambique e (acho) Suazilândia fazem uso desse arcaico método de elucidação criminal. O qual, pra quem não sabe, é meramente informativo. E mais:

Hodiernamente, em países como Austrália, Suécia, Holanda e tantos outros, para delitos de menor monta, os próprios condutores do flagrante ou da investigação, sejam eles agentes, inspetores, comissários ou outro agente de aplicação da lei, são os oferecedores da denúncia, dispensando, caso possuam os atributos mínimos, previstos nos respectivos regulamentos, a figura do Promotor de Justiça, cuja atuação será exigida apenas nos crimes mais complexos.

Pergunto: quantos traficantes e outros criminosos de alta periculosidade circulam livres pelos campos de batalha da verdadeira guerra civil ora travada no Brasil, graças à completa ineficiência do atual modelo?

A quem interessa a ineficiência?

Carta a um eleitor 10 anos após a reeleição da Dilma

Caro amigo eleitor,

Inicialmente peço desculpas pelas mal traçadas linhas, mas é que o computador aqui de casa está um pouco defasado, sabe, desde que fomos submetidos ao embargo econômico imposto pela ONU, por conta da suposta violação aos direitos humanos e à liberdade praticados pelo Governo Lulinha (o filho) que sucedeu a Dilma em 2019 e decidiu unir o Brasil à Venezuela, batizando a nova nação de República Bolivariana de Brazuela.

Sei que você não fez por mal, ao votar na Dilma, pois o plano de inclusão pelo consumo, e não pela educação, realmente parecia ser uma boa ação. Até eu acreditei, no início. O bolsa-misé(…) desculpe, família, que hoje é pago a 75% da população Brazuelana e do qual sou beneficiário há 7 anos, realmente tirou muita gente da miséria. Enquanto era pago pra 4 milhões de famílias, tinha toda a cara de projeto social, mas quando chegou em 40 milhões, aí ficou claro que era parte do GPP – Grande Projeto de Poder. Alguns subversivos dizem que era assistencialismo, voto de cabresto, mas podemos falar disso mais tarde, né?

Não muito tarde, pois o racionamento de energia não permite usar eletricidade após as 19h, e você sabe, bateria de computador velho vicia mais que crack. Por falar nisso, a epidemia de crack, que começou com o lançamento do bolsa-crack, para amparar os usuários de droga que não tinham condições de pagar as pedras, está fora de controle. Pelo menos o PT conseguiu manter o apoio necessário às reformas no Congresso, já que se aliou ao PPCC, ou Partido do PCC, que garante a maioria nas duas casas em troca da vista grossa das autoridades à venda de drogas, sequestros e assaltos a bancos. Pragmatismo é tudo, não é mesmo?

Não posso reclamar do puxadinho em que moro, numa expansão da Vila Fidel, periferia de Brasíli(…) desculpe, Lulópolis, novo nome da Capital Federal, que pude adquirir no Programa Meu Puxado, Minha Vida, a juros módicos de 83% ao ano. Tem gente morando muito pior – nas ruas – desde que a propriedade privada foi abolida em Brazuela e o MST se apossou de metade dos imóveis de Bras(…) Lulópolis. A outra metade foi com muita justiça repartida entre os 39 partidos da base aliada. Os petistas receberam as humildes casas dos Lagos Sul e Norte. Muito justo, pois tinham que ser recompensados pelas perseguições sofridas na ditadura militar e depois pelos abusos psicológicos cometidos pelos coxinhas que insistiam em chamá-los de esquerda caviar. Absurdo.

Confesso que estou um pouco chateado com o fato de estar desempregado há 8 anos, assim como 185 milhões de Brazuelanos, e não poder dar uma alimentação adequada às minhas filhas, mas sei que o sacrifício de todos é para o bem da coletividade. Também não posso reclamar da educação oferecida pela Rede Pública Chavista de ensino, que forma companheiros alinhados com a causa. Minha pequenininha adora as aulas de Conscientização Marxista Coletiva e de Marcha Norte-Coreana no adestramento físico. Ela também adora os programas infantis que passam na única emissora, a TV Che Guevara. Seu desenho favorito é “Procurando Evo”, sobre um peixinho Boliviano que quer salvar o mundo dos porcos imperialistas.

A mais velha, como toda adolescente, adora a Internet, que apesar de voltar a ser discada desde a Grande Reestatização, garante o acesso, ainda que monitorado, à rede mundial de computadores. Todos podem acessar o Portal Oficial de Informações, estatal criada após a decretação da Lei Geral de Controle da Mídia. Tudo de acordo com o moderno modelo iraniano de acesso à informação.

Hoje fiquei um pouco triste com a morte do Presidente do STF, Ministro Zé Dirceu, vitimado em acidente aéreo no seu aviãozinho particular, um Gulfstream 6. Há rumores de que foi um atentado, mas não é bom ficar comentando pois somos monitorados sistematicamente pelos Soviet(…) desculpe, Conselhos Populares criados pela Dilma. O egrégio ministro conduziu com absoluta imparcialidade aquela Casa de Justiça, nos 8 anos em que ocupou o cargo máximo da Justiça Brazuelana. Já se especula que o Lulinha deve nomear outro advogado de algum partido da base aliada, assim como fez com os outros dez ministros. Estou muito sentido pela perda deste grande brasileiro, que tanto contribuiu para a criação da Nova Constituição Brazuelana e seus 7.732 artigos.

Mas nem tudo é tristeza! Ontem fui sorteado para uma consulta com um médico boliviano no Hospital Geral Agnelo Queiroz! As terríveis dores de cabeça de que venho padecendo já tem data para terminar, assim espero: daqui a apenas 18 meses serei consultado! Isso não é uma maravilha? Melhor que o sorteio da morte, que foi instituído nas emergências de todos os hospitais de Brazuela, como medida de contenção de gastos. Funciona assim: a pessoa que tem alguma emergência recebe uma senha na entrada do hospital. Se não for sorteada entre os 15% a ser atendidos naquele mês, pode voltar pra casa e tentar o sorteio da consulta. Não é tão ruim, mas é melhor não se acidentar.

Agora preciso descansar, pois amanhã todos temos de acordar cedo, para participar do desfile cívico em comemoração aos 10 anos da reeleição da Dilma, que oficializou o Grande Projeto de Poder. Não podemos ficar de fora desta grande festa cívica, até porque se não formos, não receberemos nossa cota mensal de ração, composta de 2 quilos de feijão, farinha e inhame, produzidos nas Grandes Fazendas Coletivas. E você sabe, caro amigo eleitor, saco vazio não para em pé. (risos)

Antes de me despedir, caro amigo eleitor de 2014, gostaria de pedir um favorzinho. Vota na Dilma, vai. Se você quer ver um país justo, próspero e feliz como o que estou vivendo agora, em 2024, vota na Dilma. Seus filhos irão te agradecer pro resto da vida.

República Bolivariana de Brazuela

República Bolivariana de Brazuela

O Menino que Pintava Meios-fios.

O ano era 1978, o bairro era Cruzeiro, a cidade, Brasília.

O primeiro envolvimento, de fato, que tive com uma Copa do Mundo, foi ali, na inocência dos 11 anos, pintando meios-fios de verde e amarelo, recortando bandeirinhas e colecionando figurinhas da Copa, que àquela época traziam um atrativo irresistível em cada pacote: um chiclete “Ping-Pong”.

O estacionamento do bloco (como são chamados os edifícios residenciais, em Brasília) virava uma imensa quadra de Escola de Samba que, apesar de não contar com telões (inexistentes à época), dispunha de sistema de som potente, emprestado pelo Adílson, um morador festeiro da Quadra, o qual retransmitia a narração do jogo pelo rádio – Sofrimento atroz!

Antes, durante o intervalo e após o jogo, caso confirmada a vitória, cantávamos e dançávamos o grande hit da Copa de 78: “Pombo Correio” de Moraes Moreira.

Cantamos, dançamos e ao final choramos com a pataquada promovida pelo Peru, que claramente entregou um jogo pra Argentina, desclassificando o Brasil da Final. Surgia, então, o abjeto termo “Campeão Moral”.

Outras Copas vieram, outras vezes nos mobilizamos, nos envolvemos, sorrimos e choramos. Sempre imbuídos de um sentimento patriótico pontual, que estranhamente só nos ocorria de 4 em 4 anos. “A pátria de chuteiras”, outro termo abjeto.

Confesso que a princípio me empolguei pela Copa no Brasil. Não pelo aspecto esportivo, vez que sou ferrenho praticante e amante dos desportos, quaisquer que sejam. Fundamentais para o bem social e para a educação dos povos.

Estava empolgado pela possibilidade que vislumbrava na melhoria dos serviços públicos e no chamado “legado da Copa”: mobilidade urbana, hospitais públicos e ensino de qualidade.

Até que a ficha caiu.

Em 2012, ainda na França, onde cumpria missão profissional, ao ser perguntado se o Brasil estaria pronto a tempo para o Mundial, respondi sem hesitação: “Os estádios estarão prontos, apesar de superfaturados. E só.”

Meu vaticínio mostrou-se acertado.

A essa altura, o aspecto esportivo é irrelevante, pois no final todos iremos torcer, qual o menino que picava papel e pintava meios-fios. O Zuenir Ventura conta uma passagem interessante, em artigo recente, sobre a utilização política da copa de 70 pelo Governo militar, que era repudiada pela esquerda, a qual recomendava torcer contra a seleção canarinho:

“Um preso político contava que ele e seus companheiros de cela torciam contra até começar o jogo. “Aí ninguém mais resistia. A cada lance que o radinho de pilha narrava, todos passavam a gritar Brasil!”

E todos gritaremos “Gol!” e soltaremos fogos, abafando o rugido rouco dos fuzis da Vila Cruzeiro, do Planeta dos Macacos, da Fazendinha ou de Itaquera.

E sei também que no dia seguinte nos atolaremos nos engarrafamentos caóticos das nossas grandes cidades.

Nossos serviçais procurarão os leitos pútridos de corredores infectos e abarrotados de nossos hospitais, com seus filhos em prantos, ou mudos, no colo.

Nossas crianças (deles) ocuparão os bancos rotos de escolas sucateadas, com professores humilhantemente mal pagos, onde grassam a violência e as drogas.

Nos acastelaremos em nossos condomínios, com medo das “saidinhas de banco”, “sapatinhos” e balas perdidas da carnificina em que se transformaram nossas ruas.

Não é essa a Copa que eu queria, superfaturada e sem legado.

Não é esse o futuro mendigo, de um país mendigo, que quero para minhas filhas.

Quero mudanças.

De uma vez por todas: Pra frente, Brasil!

O Poder Revolucionário da Música – 1ª parte

Cité Internationale

O restaurante da firma, agora que mudei de prédio, dista uns 500 metros do escritório, mas só vejo vantagens nisso, pois destarte os (muitos) dias chuvosos aqui em Lyon, acho muito salutar poder caminhar pela bela alameda que separa os dois sítios, seja inverno ou verão.

Na unidade em que trabalho, somos de 15 nacionalidades diferentes e procuro, nessas caminhadas diárias na hora do almoço, conhecer um pouco dos hábitos e costumes desses países. E foi numa dessas caminhadas que fui interpelado sobre uma música brasileira, mundialmente conhecida, que fez um estrondoso sucesso nos final dos anos 80, princípio dos 90. Até hoje faz, no velho mundo.

Sem perder a oportunidade, saquei o celular do bolso e via streaming, pus pra tocar a tal canção. Uma integrante da nossa unidade, Ioana, de origem romena, que caminhava um pouco à frente, em outro grupo, ao reconhecer os acordes veio até nós e, um tanto emocionada, contou o quanto significava para ela e para seu país, aquela canção.

Contou ela, que em sua pré-adolescência, no período que antecedeu a derrocada da sanguinária e infame ditadura

Nicolae Ceausescu

comunista em seu país, capitaneada pelo não menos sanguinário e infame Nicolae Ceaușescu, só se podia ouvir música clássica ou tradicional romena nas rádios estatais, e assistir a programas históricos e documentários na única emissora de TV, também estatal, que mostrava diariamente os “grandes avanços” promovidos pelo regime, de forma a proteger o povo da “decadente cultura capitalista ocidental”.

Com o advento da Perestroika, (reestruturação ou abertura econômica) promovida pela então União Soviética, da qual era dependente econômico, o ditador se viu obrigado a fazer algumas concessões, dentre elas a permissão para transmitir programas televisivos ocidentais, notadamente novelas, que além de manter certo nível de alienação, (àquela altura obrigatória) haja vista o estado de calamidade em que vivia o famélico povo romeno, demonstraria a boa vontade do ditador em promover reformas, ainda que meramente distrativas e inócuas.

E se tem um produto brasileiro com verdadeiro pedigree internacional, é a tal da novela.

Novela Brasileira

Foi nesse cenário político-social, que uma canção brasileira, exaustivamente tocada na novela de maior sucesso da época, tornou-se símbolo da Revolução Romena, iniciada em dezembro de 1989, que culminou com a execução sumária, em praça pública, do temível ditador.

Segundo a Ioana, a canção tornou-se o hino da revolução, pois trazia os quase proibidos, para seu sofrido povo, componentes da alegria e da celebração à vida.

A canção era “Lambada”, mais conhecida, no Brasil, como “Chorando se Foi”, do grupo Kaoma.

Expliquei, então, que apesar do ritmo alegre e envolvente, a letra da música é quase triste, pois fala de choro, recordação, riso e dor. Em suma, o fim de um amor.

Esse é o poder revolucionário da música, pois o importante não é se, ou como a entendemos. O que importa é como a sentimos. Não sei o que significa uma vírgula do Gangnam Style, mas pra mim denota alegria, descontração, celebração… Vai saber.

O choroso fim de um amor, aos ouvidos romenos, foi o início de uma nova vida.

E de uma nova nação.

Kaoma – Lambada